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Santana do Ipanema e o medo da violência


pracaadelson

Um dos principais atrativos da cidade de Santana do Ipanema é, sem dúvida alguma, a Praça Dr. Adelson Isaac de Miranda, a antiga praça da Bandeira, onde boa parte dos santanenses e suas famílias vão para bater um papo com os amigos e fazer um lanche, nas diversas lanchonetes presentes no local.

Aproveitando a tranquilidade do fim de semana do sertão, fui encontrar com amigos e atualizar a conversa na Praça Isaac de Miranda e lá encontrei muita gente se divertindo – alguns extrapolando com os sons de seus carros no volume máximo – pais com seus filhos pequenos curtindo a noite santanense com muito prazer.

A noite estava tranquila até que quando menos se esperava, ouvimos o barulho de um tiro. Logo em seguida outros e uma multidão correndo em várias direções e a maioria vindo para onde estávamos, muitos não imaginavam o que estava realmente acontecendo, o medo foi geral.

Matéria do Alagoas na Net:

Um jovem de 23 anos foi vítima de uma tentativa de homicídio ocorrida na noite deste domingo (23) ao lado da Praça Dr. Adelson Isaac de Miranda, na cidade de Santana do Ipanema. O caso aconteceu por volta das 22h, quando centenas de pessoas estavam aglomeradas, após assistir o desfile de um bloco de rua.

De acordo com informações repassadas pelo cabo da Polícia Militar, Veloso, responsável pela guarnição da Radiopatrulha, populares relataram que uma dupla chegou em uma motocicleta, em frente a um farmácia, localizada na Rua Martins Vieira, Monumento, e ao parar miraram no jovem Rafael Domingos da Silva.

O rapaz estava acompanhado de uma jovem, quando os acusados efetuaram vários disparos em sua direção. Rafael foi atingido por um tiro no abdômen. Após o atentado, os dois suspeitos fugiram com destino ignorado, enquanto a vítima foi levada por populares até o Hospital Regional Clodolfo Rodrigues de Melo.

Não é de hoje que o tema violência em Santana do Ipanema é comentado. A cidade vive dias de terror, a rotina dos santanenses mudou, não para melhor, mas para adaptar-se ao medo que tomou de conta da cidade.

Nossos jovens se entregam ao mundo das drogas e da violência com muita facilidade, pois alternativas para ocupar sua mente e seu tempo são coisas complicadas demais para serem elaboradas pelos agentes políticos. Não culpo o prefeito, pela situação atual, mas culparei futuramente se ele for omisso e nada tentar fazer para amenizar essa cruel realidade. Comentar sobre a postura do Governo do Estado diante disso tudo é até fácil, pois já perdeu as rédeas e tenta com muita dificuldade contornar a situação.

Precisamos urgentemente tomar medidas que busquem amenizar esse inferno que o Estado de Alagoas vive, ocupando o tempo do jovem com educação, esporte e atividades profissionalizantes. Mostrar que existem alternativas possíveis para uma vida digna e mais humana.

Agir é preciso, antes que percamos por completo o controle da situação e o caos se instale de vez por essas bandas. Cidades pequenas conhecidas por sua tranquilidade, hoje são dominadas pelas drogas e pelo tráfico, enquanto isso muitos ficam na praça jogando milho aos pombos e vendo o tempo passar, como se nada estivesse acontecendo.

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39 ou 200? O que realmente importa com a segurança dos alagoanos?


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Aconteceu hoje em Maceió uma grande fuga no Presídio Cyridião Durval, onde 39 reeducandos pularam o muro e pegaram o beco para longe dali.

Segundo informações da Superintendência Geral de Administração Penitenciária (SGAP), dos 39 que fugiram, 13 foram recapturados. Logo mais cedo, o presidente do Sindapen/AL, Jarbas Souza, disse que o número de fugitivos poderia chegar a 200, como noticiado pela GazetaWeb, o que gerou uma grande movimentação nas redes sociais.

Um clima de terror está aos poucos sendo instalado em nosso Estado, por um grupo do “quanto pior, melhor”, por outro grupo com interesses políticos e por outro grupo que tem já como finalidade de simplesmente difundir o caos. Outros motivadores do terror é sem dúvida a impunidade que vivemos e a corrupção entranhada em nossas prefeituras e vários setores do Governo do Estado. Corrupção que leva ao descaso e a morosidade.

Ao reclamar mais cedo sobre a fuga dos possíveis 200 presidiários, fui retrucado por um colega que disse que esse número era um absurdo e que na realidade eram “apenas” 39 fugitivos.

Na realidade pouco importa a quantidade, o debate tem que ser levado para âmbito do ponto em que chegamos em relação a segurança pública em Alagoas. É de longe um caso de descaso de muitos anos e que tende a piorar se continuar nesse ritmo lento que o Governo atual conduz a pasta.

Um Estado que ostenta os piores índices em diversos indicadores, onde milhões são desviados na cara dura dentro da Assembleia Legislativa que ainda tem em seus quadros políticos coronéis, que trabalham com uma pistola numa mão e um chicote na outra e onde a impunidade é conduzida com alguns “punhados de dólares”, não pode esperar muito.

Precisamos mudar de dentro pra fora, primeiramente conduzindo nossas casas com bons valores e expurgando de vez o jeitinho brasileiro de ser, ter orgulho do nosso chão, da nossa terra, pois assim passaremos a cobrar mais e ser mais exigente com os que nos representam nos poderes constituídos e acabar com essa “síndrome de coitadismo” onde sempre somos as vítimas que depende da boa vontade dos outros para conseguirmos o que queremos.

Eu acredito em nossa mudança, porém sei que não será de um dia para o outro, isso é demorado, mas precisamos fazer nossa parte, sempre! Aos poucos chegaremos lá. Eu acredito!

Agora, governador Teotônio Vilela, por de tudo que é de mais sagrado, faça alguma coisa urgente, não acabe o seu mandato como um dos piores governadores desse Estado. Muitos dos alagoanos não acreditam nessas viagens do Eliezer Setton (virou até piada na internet), por mais que seja verdade, o que queremos é ver, sentir, tocar em tudo que as propagandas mostram e não ficar no “Fantástico Mundo do Bobby”.

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Onda de violência em Alagoas


violencia

Vivemos dias de escuridão em Alagoas, onde o medo e a violência aumentam a cada dia. Pessoas que dizem não querer mais sair de casa, pois não sabem se voltarão com vida para os braços de seus familiares, pessoas que se entregam à barbárie e agridem violentamente “pequenos bandidos”, como se descontassem uma raiva acumulada de muito tempo de impunidade.

Uma onda de assaltos, latrocínios e outros inúmeros crimes, fazem parte do nosso cotidiano, estávamos até que anestesiados com notícias referentes a esses assuntos, estávamos acostumados com as informações mostradas nos programas policiais, porém o sentimento que a violência está mais perto do que parece é real e está deixando nossas cidades num caos gigantesco.

O caos é tão grande que até boatos sobre “arrastões” em grande escala estão para acontecer em Maceió são criados para aterrorizar ainda mais a população. Há quem diga que tais boatos foram inventados por grupos que querem a todo custo atacar o governo do Estado (ou seja, o proativo Téo Vilela), outros dizem que estes boatos surgem de gaiatos que querem somente ver o circo pegar fogo e o palhaço morrer tostado.

Tudo bem que a greve (justa, diga-se de passagem) da Polícia Militar está ajudando na propagação do terror, porém a impunidade e a corrupção são os principais motivadores desse medo que vivemos. Um Estado que ostenta os piores índices possíveis e imagináveis, que tem sérios problemas com o vício da corrupção e muitos políticos letárgicos não poderia esperar outra situação.

Precisamos mudar muito para começarmos a melhorar, quando tivermos uma educação de qualidade que valorize o professor e dê possibilidades ao aluno, um policiamento equipado e com condições de trabalho, um governo atuante e preocupado com o progresso e desenvolvimento social, quando tivermos gerado em nós mesmos o sentimento de orgulho e responsabilidade por Alagoas, aí sim começaremos a enxergar as mudanças necessárias para a nossa realidade.

Enquanto nada disso não acontece, vamos vivendo rezando e tomando medidas necessárias para tentar não ser mais uma vítima do caos instalado.

Vai que acontece algum milagre…

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Santana do Ipanema vive dias de medo!


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Santana do Ipanema vive dias de puro medo! Isso mesmo, não estou exagerando. Encontrei recentemente vários amigos e conhecidos santanenses e todos comentaram (lamentaram) a violência que domina a cidade.

Uma onda de assaltos tomou de conta da cidade central do sertão alagoano. Os que mais reclamam da situação são os comerciantes que estão mudando a rotina para tentar amenizar a violência. No mês passado, aproximadamente 14 estabelecimentos comerciais foram assaltados no centro da cidade.

A revolta é grande, pois os assaltantes chegam muitas vezes a pé e levam tudo o que querem, ameaçando com suas armas e de cara limpa. Muitos são menores que entram no mundo do crime para satisfazer, muitas vezes, as vontades de seus líderes. Quando não são eles essas lideranças…

O major Roberto Valle, comandante do 7º Batalhão da Polícia Militar de Santana do Ipanema, disse em entrevista ao G1/AL que os assaltos são praticados por duas facções rivais que estão disputando os pontos de venda de drogas da cidade.

Santana do Ipanema está entregue à criminalidade devido à inoperância do Estado que insiste em trabalhar com a “sensação” de segurança, quando na realidade isso só serve para gerar nova publicidade e índices dúbios e questionáveis.

A gestão municipal também não fica livre da sua responsabilidade, pois o prefeito que pensar que a questão da violência é somente do Estado pode ir fazer qualquer outra coisa na vida, porque ser prefeito não dá! Políticas públicas reais e efetivas são fundamentais para combater a violência, pois gerarão novos caminhos para os jovens percorrerem.

Precisamos gerar alternativas para as nossas crianças e jovens.

O que não podemos é ficar esperando que a situação piore e fique totalmente fora de controle. Assumam a responsabilidade de vocês, enquanto gestores públicos e comecem a realmente fazer algo, por Santana do Ipanema e por Alagoas.

@Marques_JM

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Uma aula sobre violência doméstica


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Recentemente vivi um momento muito interessante e significativo em sala de aula. Como alguns sabem, sou professor de Noções Básicas de Direito II, no curso de Agente Social da Faculdade da Cidade de Maceió para Terceira Idade, a FACIMA-TI. Essa matéria abrange os seguintes temas: Estatuto do Idoso e a Lei nº 11.340 de 2006 – “Lei Maria da Penha”.

Como atividade somatória, passei um trabalho onde os alunos irão discorrer e apresentar, sobre vários ângulos, a Lei Maria da Penha. As apresentações estão em andamento, mas uma apresentação, já realizada, me chamou a atenção.

Depois de um breve comentário sobre a lei em si, a dupla que estava conduzindo a apresentação começou a contar o caso prático e real de violência doméstica vivida pelas duas, uma que sofreu violência física e a outra violência psicológica.

A emoção nos olhares era facilmente percebida por aqueles que acompanhavam a apresentação. Uma disse: Professor, a cada linha que lia sobre o assunto eu chorava, pois revivi cada momento ruim que vivi um dia…

Uma delas contou que viveu momentos temerosos, mas que devido a sua coragem não permitiu que aquilo continuasse acontecendo.

– Uma vez, ele partiu para cima de mim… Mordi seu braço, enquanto ele me apertava com muita força. Ele me apertava de um lado e eu o mordia com mais força do outro. Era sangue no meu rosto, no meu braço… Um vizinho acabou que interferiu e a briga parou, por um momento. Quando o vizinho saiu, ele começou a me agredir verbalmente e pegou uma faca, eu não contei história, peguei um facão para me defender. Sei que dali fui na delegacia e disse ao delegado que com aquele homem eu não viveria mais. Pedi que ele o mandasse embora. Voltamos para casa, com o acordo que ele iria embora e me deixaria em paz com meus dois filhos pequenos, um deles ainda bebê. Era noite e ele tinha me dito que só iria de manhã, e eu, fiquei esperando. Tarde da noite, veio tudo em minha cabeça, tudo aquilo de ruim que eu tinha passado com ele. Fiquei revoltada. Comecei então a esquentar uma lata de óleo, eu ia mata-lo! Quando o óleo estava quase no ponto, ele acordou e veio para cozinha perguntando o que eu iria fazer com aquilo. Respondi que ia matá-lo. Depois disso, desisti do que ia fazer e ninguém dormiu. Ele ficou num canto e eu noutro. Logo cedinho, ele com as malas na mão, me olhou e disse: Eu já vou! Repetiu isso duas vezes. Respondi que tudo bem, ele olhou novamente pra mim e disse: Espero que você e esses dois aí morram de fome! Bateu a porta e foi embora.

Depois que ela contou a história notei que algumas alunas choravam, outras interviam na fala da colega dizendo que algo semelhante tinha acontecido com elas e outra chegou a contar que presenciou um ato de violência, ainda quando criança, contra sua mãe, que levou 13 facadas do seu pai enciumado.

A violência doméstica e familiar está presente em muitos lares em todo país e atinge mulheres, crianças e idosos. É um problema antigo, que começou a ser tratado com mais seriedade após o advento da Lei nº 11.340/06, que apresenta mecanismos para coibir a violência contra as mulheres.

Quando pensamos que estamos distantes de situações como essas, nos enganamos facilmente. Quantas mulheres não sofrem violência domestica no silêncio de suas casas e ninguém vê ou muitas vezes fingem não ver.

Muitas mulheres perdem suas vidas, em todos os sentidos, por causa do orgulho e machismo absurdo do marido, que pensa ser superior e proprietário de sua esposa.

Precisamos cada vez mais lutar contra essa barbárie que todos os dias ceifam a vida de mulheres em todo país. Que a “Lei Maria da Penha” seja aplicada rigorosamente em casos reais de violência doméstica, punindo o agressor e propagando a cultura de não violência contra a mulher.

@Marques_JM

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Violência e tortura não resolvem os problemas de segurança pública! (Por: Rafael Pires)


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Texto: Rafael Pires¹

Chamou a atenção de toda a população de Maceió, e com repercussão em praticamente todos os canais de TV e grandes sites de informação do país, a ação dos policiais militares em sua abordagem, com agressões e mesmo uso de arma de choque, contra cinco suspeitos no bairro do Trapiche.

Sem dúvidas, discutir a abordagem policial não é uma questão menor. Em sua defesa, os PM´s apresentam que se trata de bandidos ligados ao tráfico e, portanto, grandes ameaças a sociedade. Argumentam seus defensores, que os direitos humanos só aparecem nesse tipo de caso e que, por exemplo, no caso do motorista de ônibus assassinado poucos dias depois, não houve representante dos direitos humanos para apoiar ou dar assistência à família da vítima.

A verdade é que herdamos no trato da violência e nas ações das forças policiais, uma herança maldita dos tempos da ditadura militar, onde diante do regime de exceção que o povo brasileiro estava submetido era possível prender sem aparo na lei, sequestrar, torturar, estuprar e matar, tudo isso realizado pelos agentes do Estado. Até hoje, vincular a imagem das polícias com caveiras e morte representam “força” para os órgãos de repressão.

Nos dias atuais, com a crescente escalada da violência, em especial em Maceió que se mantêm como a capital mais violenta da nação, a pressão e a tensão por mais segurança reforçam a ideia da força policial contra os criminosos. Batidas, invasões, grupos de extermínio e mesmo tortura são permitidos para tentar diminuir os índices de violência e tentar melhorar a imagem dos governantes.

Essa concepção está tão arraigada dentro da corporação, que o presidente da Associação dos Cabos e Soldados chegou a declarar não acreditar que os envolvidos sejam expulsos da Polícia Militar. Motivo: “já aconteceram coisas piores, e ninguém perdeu a farda”.

Dessa forma, inverte-se a busca por uma efetiva solução aos problemas de segurança. Defender mais presídios, mais repressão em nada modificam o quadro da segurança pública. Basta ver, a pesquisa divulgada pelo “Direito Direto”, O Brasil Atrás das Grades, disponível em (www.direitodireto.com).

Segundo a pesquisa, a população carcerária do país é de mais de 500 mil pessoas, a quarta maior do mundo, e teve o maior crescimento nos últimos 20 anos, 350%. Mesmo assim há um déficit de mais de 200 mil vagas nos presídios. Quer dizer, mesmo com mais presídios e sendo a quarta maior população carcerária, a segurança continua sendo um grave problema social.

 Social sim, pois a solução para o fim dessa violência está colocada no fim das desigualdades tão gritantes que vivemos. Analisando os dados da pesquisa, vemos que a maioria dos crimes está relacionada a crimes contra o patrimônio, com 57% dos presos condenados por furto e roubo. Em duas palavras: mais exclusão gera mais violência.

A ação dos policiais militares da Rádio Patrulha não representa infelizmente uma ação isolada. Essa é uma prática, no mínimo, permitida dentro da PM, mas prontamente criticada quando toma a repercussão que esse caso tomou. Lembremo-nos da ação dos policiais paulistas, que assassinaram, no mês de novembro, um ex-presidiário a sangue frio e ainda prepararam uma cena de confronto, com documentos atestando uma possível troca de tiros e a resistência da vítima durante a ação policial, farsa apenas descoberta com divulgação de filmagem semelhante a que tivemos no Trapiche.

Quantos outros casos assistiremos para que tenhamos uma mudança na abordagem da PM? Direitos humanos vão além de “defender presos”, se colocam exatamente na garantia e na defesa da vida digna para todos, e não será com tortura e agressões que se modificará a realidade social de milhões e milhões de pessoas, excluídas da sociedade consumista que vivemos e sem perspectivas de um futuro melhor.

O uso das armas de choque tão propagado pelo governo de Alagoas mostrou sua verdadeira face. Será figura corrente nas ações da PM para “interrogatórios”, “combate a resistência à prisão” e o que mais a criatividade permitir. Alguma dúvida? Uma imagem vale mais que mil palavras.

https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=bxCijhdi0OA

¹ Ex-diretor da União Nacional dos Estudantes e diretor do Centro Cultural Manoel Lisboa

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Gostamos da violência?


Que quarta-feira puxada! Trabalhei o dia inteiro e não li, muito menos ouvi alguma notícia sobre Alagoas hoje. Já sei, vou ver nos sites famosos e quem sabe não vejo alguma informação que alegre o meu fim de dia.

Abrindo os muitos sites de notícias só vejo morte, assalto, morte, fotos de pessoas mortas, mortes…

Ok, que Alagoas é campeã em violência no país isso todo mundo está cansado de saber, até a revista The Economist já tratou disso, mas porque valorizamos tanto a violência?! Acabamos gostando dela?! Eu não quero dizer que devemos tapar o sol com uma peneira e não divulgar como a criminalidade está crescendo, como o tráfico de drogas está acabando com a sociedade alagoana, não é isso! Notícias como essas devem ser repassadas, para que cada cidadão saiba que aqui não é um mar de rosas, ou melhor, até é, mas com muitos espinhos que precisam ser cortados!

Cobrar do Estado melhores condições de vida é nossa responsabilidade, não importa qual profissão você exerça, tem que cobrar e exigir, claro sempre exercendo o seu papel de cidadão, criticando, elogiando, cobrando e apresentando novas propostas para alcançarmos as melhorias.

Certa feita, olhando as visitas de um famoso site do sertão, vi que as matérias que tiveram os maiores acessos, em média, eram as que noticiavam certo crime e mostravam fotos das vítimas mortas. Sem falar nas matérias de cobertura de evento, onde todo mundo quer pegar a sua foto da baladinha que fora no fim de semana.

Já nos acostumamos tanto com a violência que nos reprime que vemos situações como essas e não nos chocamos mais, ficamos apenas dizendo:

– Cara, mataram fulano, você viu?! Tá no site!

– Vou ver, então! Que pena.

Relativizamos vida, maior graça do homem. Os valores da essência humana estão sendo retraídos pela acomodação do “não está acontecendo comigo.”

O grande escritor alemão, Berthold Friedrich Brecht, em um dos seus textos diz o seguinte:

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

Como conseguimos dormir tranqüilos vendo a situação a que chegamos?! Será que nos importamos realmente como as pessoas?!

@Marques_JM

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