Santana do Ipanema: 139 anos de muita história…


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“(…) tudo é Brasil, e é nessas cidades e vilas distantes, perdidas no interior, que reside a essência da brasilidade com as suas tradições, com a sua literatura de cordel, com o seu folclore.”

A cidade de Santana do Ipanema – meu canto, meu lar e meu amor – completará 139 anos de emancipação política no dia 24 de abril. O sertão estará em festa com mais um aniversário da sua rainha.

Santana do Ipanema já viveu grandes momentos que precisam ser eternamente exaltados e lembrados por todos seus filhos com muito orgulho e carinho. A luta constante do seu povo contra a seca forte que sempre lhe acompanha é uma marca e o jumentinho um símbolo de resistência e de vitória.

Sua história começa com grandes nomes, como a do catequista Padre Francisco Correia e os irmãos Vieira Rêgo. Ribeira do Panema nasceu pequena, mas com espírito grandioso e próspero. Em 1875, com a resolução 681, Santana do Ipanema é emancipada.

De lá pra cá muita coisa aconteceu, demos grandes passos em desenvolvimento e progresso, não podemos jamais negar o trabalho feito por tantos, sejam eles prefeitos, vereadores, empresários e cidadãos que passaram e fizeram sua parte na construção de uma realidade cada vez melhor. Infelizmente, nem sempre acertamos, o que é natural ao ser humano, não somos perfeitos, porém a maturidade e a vontade de acertar está presente no reconhecer o erro e humildemente buscar corrigir.

Em 2014, Santana do Ipanema, vive um momento de grande crescimento populacional e econômico, sendo cidade polo no sertão alagoano, recebe viajantes de várias regiões que passam e param por lá para chegarem aos seus destinos ou aqueles que por lá vão residir em busca de melhores oportunidades na educação e na profissão.

Com esse crescimento desordenado e sem planejamento surgem muitos problemas que atrapalham o desenvolvimento da cidade. Um dos muitos que surgiram e vêm tirando a paz do cidadão santanense é a violência que cresce a cada dia.

Duas das características da região eram a tranquilidade e a paz, que hoje são exceção à regra. O medo tomou conta e o receio em andar pelas ruas da cidade aumenta a cada notícia de assalto à mão armada que é divulgada nos veículos de comunicação ou nas conversas informais e amigas nos bares, restaurantes, lanchonetes e igrejas.

A responsabilidade em mudar essa realidade não é somente do Estado, mas também do município que não pode criminosamente omitir-se culpando tudo e a todos, sem fazer nada planejada e eficientemente. Investir na educação, valorizando e respeitando os professores, criando escolas em tempo integral com atividades de esporte e lazer, com as refeições suficientes para que a criança possa ter sempre o prazer em voltar à escola, projetos culturais e de segurança comunitária com a participação direta da população, gerando assim o sentimento de responsabilidade e de comunidade.

Tem um ditado antigo que diz, “sangue puxa mais do que carro de boi”, precisamos ter esse sentimento de unidade, de comunidade e defender o que é nosso e não permitir que o descaso e a inoperância de alguns prejudiquem o presente e o futuro dos nossos filhos e netos. Ter orgulho da nossa cultura, da nossa história, da cidade, é ter dentro de si responsabilidade. Quem tem orgulho cuida para sempre ter esse sentimento.

Desejo o melhor para Santana do Ipanema, quero que minha cidade cresça e se desenvolva, dando oportunidades a todos que procuram em seus braços majestosos o conforto e segurança. Que a característica de fortes guerreiros que está no espírito e no sangue do sertanejo seja a fonte inesgotável de respeito, mudança e renovação da sua história.

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Quanto vale uma amizade?


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Vivi algo interessante no dia de ontem. Como todos sabem, ontem foi mais um dia histórico para o país, onde os deputados federais votaram pelo impeachment da presidente Dilma. Até aí tudo bem, estava tudo seguindo os conformes, os deputados com seus discursos preparados para o programa eleitoral de 2016 e 2018, outros com uma leve problemática de convivência com o plural e outros com discurso exaltados enaltecendo torturadores e assassinos, velhos conhecidos da história do Brasil.

Eu sabia que esse processo todo pelo qual o país vem vivendo é fértil para a divisão entre azul e vermelho, honesto e desoneste, decente e indecente, conivente com a corrupção e não conivente, homens de bem e homens que querem o fim da família tradicional brasileira… Traduzindo, o cenário perfeito para rotular e segregar aqueles que não pensam da mesma forma que eu.

Nesta vibe agradável da intolerância, um amigo ficou extremamente incomodado ao ter interpretado, na sua radicalidade recém adquirida, uma defesa exagerada da minha pessoa pelo Partido dos Trabalhadores, que não interessa se voto ou não, dizendo que eu era conivente com tudo pelo que o país estava passando entre outras alegações.

Ao manifestar minha posição sobre o impeachment através do Congresso Nacional, percebi o seu desgosto total. Senti que um dos meus amigos mais aberto ao diferente, ao contraditório, que tinha orgulho em buscar conhecimento em vários lugares, culturas, religiões e pessoas, estava caminhando para um lugar antes nunca imaginado que seria percorrido.

Uma amizade foi desfeita, não por minha parte, ainda tenho imenso carinho e amizade por ele, estarei sempre aqui que precisar, mas por posicionamento político interpretado de forma equivocada, nada como a embriaguez dos extremos para embaraçar nossa visão da realidade.

Perdemos a oportunidade de vivenciar cada vez mais pessoas que amamos devido ao afastamento natural da nossa vida, trabalho, família, estudos e tantos outros motivos, porém quando o reencontro acontecia, a intensidade da escolha pela amizade se fazia real e tudo ficava claro, de como o mistério divino de se manifesta no outro.

Por menos intolerância, por mais amor, por mais verdades, por mais bandeiras, por mais cores, por mais abraços, por mais crenças, por mais lentes, por mais possibilidades, por mais amizades, por mais, mais, mais, mais… Onde todos possam conviver em paz e harmonia, respeitando todas as diferenças, mesmo não concordando com elas.

Esse não pode ser mais um texto que caia na ideia do mundo que nunca virá…

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Almoço global


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Numa terça à tarde, o sol queimava como de costume em Maceió, tudo estava dentro da normalidade. Quando o relógio acusou 12h00, uma das horas mais sagradas do dia, saí do escritório, deixei salvo a petição que estava fazendo e fui almoçar no restaurante Zeppelin, que fica exatamente por trás da loja Americanas, na praia da Avenida.

Com um clima agradável e ambiente pop, ornado com quadros de artistas da MPB, a comida servida não surpreenderia ninguém de tão boa que é. Andando pela tradicional Rua da Praia a fome juntamente com o calor já me convidavam para um rápido desmaio. Graças a Deus, cheguei!

– Boa tarde, moça. Qual o prato de hoje?

– Temos massunim, galinhada, sarapatel…

– Massunim, sem dúvida alguma e uma Coca-Cola bem gelada, por favor.

Estava tudo dentro dos conformes, comida boa e bem temperada, exagerei no azeite com pimenta e com o vinagre na salada. Um artista local dava um show com seu violino tocando as clássicas até as populares. Agradou quem estava lá.

Quando menos esperava entrou um grupo para almoçar, um rapaz sentou no canto da parede perto do freezer tinha um rosto familiar. Já vi este cabra em algum lugar. Olhando para todos que lá estavam, percebi que não estava sozinho com esse questionamento. Uma senhora que estava na mesa ao lado da minha, comentou discretamente com o marido.

– Vixe, olha aquele ator da Globo.

– Esse povo da Globo só anda com muita gente do lado.

– Será que é ele mesmo?

Estava no meu cantinho, quieto com minha segunda Coca-Cola e o pudim de sobremesa. Pensei comigo mesmo, só pode ser aquele ator da Globo. Aquele que aparecia direto no Vídeo Show, não nessa versão com a Monica Iozzi, mas a anterior. Qual era o nome dele mesmo?

Cada um que entrava olhava indiscretamente para mesa onde estava o ator global. Ainda pensei em perguntar a dona do estabelecimento se aquele era mesmo quem eu estava pensando. Não perguntei.

Pedi a terceira Coca-Cola e já estava com a certeza que o ator era o ator que estava pensando, mas que não lembrava o nome. Por aí já havia enviado um milhão de mensagens para os grupos de WhatsApp que faço parte perguntando se haveria alguma apresentação de teatro ou algo parecido hoje em Maceió. Ninguém respondeu.

Quando começaram a pagar a conta, fiquei atento. Vou tirar uma foto. Quando terminaram o pagamento e já estavam direcionados para porta de saída que é a mesma de entrada…

– Meu querido, posso tirar uma foto com você?

– Comigo?

Percebi na hora que tinha tomado a Terceira Coca-Cola em vão!

– Sim, sim. Você é a cara de um ator da Globo…

– Sidney Sampaio!

– Esse mesmo. Cara é um bom ator.

Já tinha certeza absoluta que ele não era quem eu imaginei ser e que não sabia nem o nome, muito menos imaginava. Mas como a vergonha já estava latente…

– Bicho, você é a cara do cara. Vou tirar uma foto com você e mandar no grupo aqui.

– Tranquilo.

Click.

– Obrigado e sucesso.

– Até mais.

Quando foi embora, sentei, terminei a minha Coca-Cola, paguei a conta e voltei para o escritório rindo da vergonha que passei.

Deixa eu trabalhar que ganho mais.

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É Natal!


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Chegamos no período onde buscamos diminuir o ritmo e refletir tudo que fizemos durante todo o ano, o que construímos e o que destruímos, o que cativamos e o que afastamos, se fomos felizes ou infelizes, se vivemos ou simplesmente empurramos com a barriga mais um ano da nossa existência.

Não é piegas olhar para trás e identificarmos cada ponto elencado e outros tantos que dizem unicamente a cada um que por ventura decidiu ler esse texto com título comum para o momento.

Vivemos tempos em que os extremos cada vez mais se distanciam e cegam com suas fortes luzes tantos quantos buscam a luz no fim do túnel. Esquecemos, quase sempre, que essa luz brota do nosso coração a cada amanhecer nos convidando para iluminar onde estivermos. “Floresça até mesmo sobre a rocha!”

O fantástico é que essa luz é tão verdadeira que diferentemente das luzes artificiais, não buscam ofuscar as luzes que brotaram de outros tantos corações espalhados por aí.

A meta é não impor a sua luminosidade sobre as demais, imaginando que é a única luz capaz de iluminar e guiar nos caminhos mais escuros da vida, mas sim, mostrar todo o esplendor presente em cada ser humano e suas incontáveis possibilidades de transformar o mundo a partir de suas particularidades e peculiaridades.

Que neste Natal a nossa luz brilhe mais forte e ilumine os nossos passos na longa e apaixonante trilha da vida, nos possibilitando enxergar no outro a sua verdadeira luz.

Iluminemos o mundo!

Feliz Natal,

Dezembro de 2015

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Bienal do Livro em Alagoas e a busca pela leitura!


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Terminou ontem a 7ª edição da Bienal Internacional do Livro de Alagoas, que ocorreu no Centro de Convenções Ruth Cardoso, nos dias 20 a 29 de novembro e não tenho dúvida alguma que foi mais uma vez um sucesso de público.

Sempre ouvi reclamações de amigos que em Alagoas a vida cultural e intelectual não é muito intensa, diziam: não temos uma livraria, não temos boas peças teatrais constantes, não temos bons shows, etc.. Hoje temos boas livrarias (e chegando mais!), boas peças teatrais e bons shows.

A Bienal do Livro é um excelente exemplo do interesse do alagoano pela leitura e pelo enriquecimento cultural. Vi pessoas de todas as idades andando pelos corredores e atentamente olhando os estandes de cada editora expositora. Essas mesmas pessoas, muitas vezes encontraram velhos amigos ou fizeram novas amizades só com o simples comentário sobre algum livro específico.

Os autores alagoanos fizeram a festa, vários lançamentos promovidos pelas editoras e aqui quero destacar duas delas, a EDUFAL e SWA Instituto.

A EDUFAL, editora da Universidade Federal de Alagoas, apresentou no estande diversos livros dos nossos autores e promoveu outros tantos lançamentos como dos livros dos professores e amigos Ronaldo Ferreira de Araújo, Sávio de Almeida, França Jr., Sérgio Coutinho, Bruno Leitão e das professoras Elaine Pimentel e Ruth Vasconcelos.

A SWA Instituto, editora de Santana do Ipanema e capitaneada pelo visionário José Malta Neto, preencheu toda sua programação com lançamento de livros de autores sananenses, entre eles Lúcia Nobre, João do Mato, Silvano Gabriel, Pe. José Neto, Tobias Medeiros, Bartolomeu Barros e do jovem Éverton Lacerda.

O Instituto SWA promove, além da edição de livros, eventos no sertão com o intuito de promover a leitura com as crianças do ensino público sertanejo. Além de divulgar o amor pela leitura, divulga também, os autores santanenses e suas diversificadas produções.

Tudo isso e muito mais na Bienal à disposição de todos que por ali passassem e tivessem a curiosidade em conhecer novas possibilidades de produção literária.

A VII Bienal Internacional do Livro de Alagoas terminou com saldo positivo, deixando nos corações de todos que participaram o gostinho de quero mais.

Já esperando a próxima edição.

Que venha 2017!

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Lançamento do livro Notas de História Da Igreja nas Alagoas


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Participei hoje a noite do lançamento do livro Notas de História da Igreja nas Alagoas, do professor filósofo, teólogo, historiador e escritor Álvaro Queiroz que ocorreu no Shopping Maceió, no estande montado pela Editora da Universidade Federal de Alagoas (Edufal) juntamente com a Imprensa Oficial Graciliano Ramos.

A exposição de livros começou no dia 08 e vai até o dia 13 deste mês, na praça de eventos da expansão. Com uma programação intensa com diversos lançamentos de livros e contação de histórias, o estande é um convite irrecusável para conhecer a riqueza literária acadêmica produzida em terras alagoanas.

O livro do professor Álvaro, que é membro do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, vem contar a história da Igreja Católica em lagoas, com base em pesquisas profundas em diversos acervos e arquivos.

O livro foi prefaciado pelo professor da UFAL, Anderson de Alencar Menezes, que com um cuidado rico apresenta o livro com a seguinte frase: “Tratar da História Eclesiástica é mover-se também por concepções eclesiológicas e antropológicas. Os recortes epistemológicos realizados pelo autor e os cuidados metodológicos tomados pelo mesmo com grande acuidade revelam uma obra de grande relevo para a posteridade”.

Não tem como não esperar menos que a excelência do professor Álvaro que já vem contribuindo com a construção contínua do rico acervo bibliográfico alagoano há muito tempo. Não vejo a hora de começar a leitura dessa obra, que passará por antes da fundação da Diocese das Alagoas até depois da fundação desta, e ainda nos apresentando em seu último capítulo notas sobre outras Igrejas cristãs em nosso Estado.

Fica a dica para todos que querem adquirir novas obras para as suas leituras constantes. Não deixem de passarem no estande e curtir um pouco os nossos escritores.

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Um texo sobre o Dia do Advogado


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O ano de 2012 foi muito importante, vivi grandes e marcantes emoções, entre elas a conclusão do curso de Direito pelo Centro Universitário CESMAC. Comecei um pouco perdido e ao mesmo tempo encantado com a novidade dos estudos na capital. Lembro o momento que minha mãe, Dona Regia, perguntou o motivo de eu não ir estudar em Arapiraca, já que era mais perto de casa (morava em Santana do Ipanema) e mais fácil de arrumar algum emprego, respondi com toda convicção de alguém que não tem nenhum parente e muito menos onde morar em Maceió, que lá seria a porta do mundo para mim.

Já tinha em meu coração a semente da advocacia, mas não a compreendia, não tinha a certeza dos meus passos e das trilhas que precisariam ser percorridas para chegar ao objetivo final de meus sonhos.

Como todo bom estudante de direito, passei pelo desejo irreal de todas as profissões possíveis ofertadas pelo curso. Primeiro quis ser juiz, depois promotor, passei um tempo sem saber o que seria ou faria, quando raciocinei com a maturidade advinda dos anos de faculdade, estágios em escritórios, em especial o Motta & Soares, e bons exemplos de professores e amigos, conclui o óbvio: minha vida era a advocacia.

O amor pela advocacia somado ao amor pela docência e acrescentados alguns detalhes, tem como resultado a existência plena e feliz deste que digita emocionado essas palavras.

No início de 2013 aguardei ansioso pela colação de grau, momento de coroação de todos os sacrifícios e ousadias vividos nos últimos cinco anos. Estava feliz, minha mulher estava feliz, minha família estava feliz, meus amigos estavam felizes. Foi o dia perfeito, foi toda uma semana perfeita.

Comecei, logo depois da anestesia da formatura, um estudo intensivo para o Exame da Ordem, último obstáculo para alcançar meu objetivo. Leituras, esquemas no caderno das minhas matérias preferidas e aulas, muitas aulas. A primeira fase chegou, não era um domingo qualquer…

Achei que tinha perdido, estava me conformando e preparando o meu psicológico para a próxima prova da OAB. Não seria naquele dia. Fui ao cinema depois da prova, queria relaxar. Homem de Ferro 3 e sua trilha sonora com AC/DC não me acalmaram, estava ansioso pelo gabarito oficial, queria ter a certeza da minha não aprovação ou da aprovação, pois a esperança é última que morre, num é verdade?

Chegando em casa, corri para o computador, entrei no site do Conselho Federal e baixei o PDF com o gabarito oficial do X Exame da Ordem Unificado. Com a prova em mão fui marcando uma por uma, cada resposta correta fazia meu coração bater mais rápido. 35, 36, 37, 38, 39, 40! Passei!!! Parei de contar na hora. Não queria mais saber o total, o objetivo já tinha sido alcançado.

Opa, opa, opa! Falta ainda a segunda fase! Eu tinha escolhido Civil.

Não esperei muito para recomeçar a rotina de estudos, agora estava na fase final do Exame, precisava focar ainda mais. Sumi dos grupos de WhatsApp, sumi do Twitter e Facebook, meu blog ficou desatualizado. Estava de corpo e alma dedicado ao universo do Direito e Processo Civil. Não podia surtar.

Meu Vade Mecum estava todo marcado, com marca texto, post-it, clipes de todas as cores, tudo como havia estudado com tanta dedicação e paixão. Aquele domingo estava ensolarado, muita gente na rua, salvo engano houve um concurso público na mesma hora da segunda fase da prova da OAB.

Começou… Olhei a prova com todo cuidado. Li questão por questão. Defini qual era a ação cabível do caso apresentado e comecei a escrever. O tempo passa rápido, o frio na barriga aumenta. Ainda faltam as questões… Passa folha do Vade Mecum para um lado e para outro, dá uma olhada nas súmulas, meu Deus quase decorei todas elas, o relógio parece que estava com raiva de mim, meu nervosismo aumentou, meu coração acelerou. Moço, posso ir no banheiro?! Lavo o rosto, respiro calmamente, lavo o rosto de novo e retorno a prova. O tempo está passando… Passou.

Voltei a minha casa com a certeza de que não foi dessa vez. Não tem problema, muitos colegas também perderam e passaram noutras oportunidades. Só não posso desistir. Os dias foram passando, continuei normalmente os meus estudos da pós em Direito Constitucional. Já estava conformado.

No dia da divulgação do resultado da segunda fase, meu coração bateu mais forte e a ansiedade não me deixou concentrar em nada. Fiquei o dia todo em casa, assistindo filmes só pro tempo passar mais rápido, doce ilusão, nunca assisti filmes tão demorados como nesse dia, parecia que estava assistindo E o Vento Levou, versão estendida do diretor.

O F5 do meu computador quase ficou inútil, depois de tantas apertadas que dei, e ainda eram 16h30, o resultado estava programado para 17h. Nada de resultado. Quando menos esperei a página abriu e estava lá o resultado, nervoso e ansioso, procurei meu nome. Onde está a letra J mesmo… Aprovado!

Chorei muito, parecia aquela criança lá de Santana do Ipanema, ao fundo tocava We are the champions, sim, teve fundo musical, liguei pra Gislaine, para mainha e para meus amigos Juádley e Ricardinho. Depois a notícia se espalhou pelos grupos de WhatsApp e demais redes sociais. Estava extremamente feliz.

Fiquei dias anestesiado com o resultado, enquanto isso, providenciei toda documentação necessária para realizar minha inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil. A Gi e a minha querida amiga Candice assinaram a minha declaração de idoneidade. Que responsabilidade!

Quando menos esperei, estava eu com o cabelo cortado, barba feita, meu terno preto e gravata vermelha (nossa cor no direito) acompanhado da minha Gi, na sede antiga da OAB no Centro de Maceió, fazendo meu juramento, recebendo a minha certidão e o meu broche. Transformei-me ADVOGADO!

No dia de hoje, quero desejar a todos os advogados, que lutam constantemente pela construção de uma sociedade mais justa e digna, toda sabedoria para que seus caminhos e decisões sejam iluminados. Que a justiça se faça a cada petição feita e suas conquistas sejam a materialização de um novo mundo, de um novo tempo!

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