Uma aula sobre violência doméstica

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Recentemente vivi um momento muito interessante e significativo em sala de aula. Como alguns sabem, sou professor de Noções Básicas de Direito II, no curso de Agente Social da Faculdade da Cidade de Maceió para Terceira Idade, a FACIMA-TI. Essa matéria abrange os seguintes temas: Estatuto do Idoso e a Lei nº 11.340 de 2006 – “Lei Maria da Penha”.

Como atividade somatória, passei um trabalho onde os alunos irão discorrer e apresentar, sobre vários ângulos, a Lei Maria da Penha. As apresentações estão em andamento, mas uma apresentação, já realizada, me chamou a atenção.

Depois de um breve comentário sobre a lei em si, a dupla que estava conduzindo a apresentação começou a contar o caso prático e real de violência doméstica vivida pelas duas, uma que sofreu violência física e a outra violência psicológica.

A emoção nos olhares era facilmente percebida por aqueles que acompanhavam a apresentação. Uma disse: Professor, a cada linha que lia sobre o assunto eu chorava, pois revivi cada momento ruim que vivi um dia…

Uma delas contou que viveu momentos temerosos, mas que devido a sua coragem não permitiu que aquilo continuasse acontecendo.

– Uma vez, ele partiu para cima de mim… Mordi seu braço, enquanto ele me apertava com muita força. Ele me apertava de um lado e eu o mordia com mais força do outro. Era sangue no meu rosto, no meu braço… Um vizinho acabou que interferiu e a briga parou, por um momento. Quando o vizinho saiu, ele começou a me agredir verbalmente e pegou uma faca, eu não contei história, peguei um facão para me defender. Sei que dali fui na delegacia e disse ao delegado que com aquele homem eu não viveria mais. Pedi que ele o mandasse embora. Voltamos para casa, com o acordo que ele iria embora e me deixaria em paz com meus dois filhos pequenos, um deles ainda bebê. Era noite e ele tinha me dito que só iria de manhã, e eu, fiquei esperando. Tarde da noite, veio tudo em minha cabeça, tudo aquilo de ruim que eu tinha passado com ele. Fiquei revoltada. Comecei então a esquentar uma lata de óleo, eu ia mata-lo! Quando o óleo estava quase no ponto, ele acordou e veio para cozinha perguntando o que eu iria fazer com aquilo. Respondi que ia matá-lo. Depois disso, desisti do que ia fazer e ninguém dormiu. Ele ficou num canto e eu noutro. Logo cedinho, ele com as malas na mão, me olhou e disse: Eu já vou! Repetiu isso duas vezes. Respondi que tudo bem, ele olhou novamente pra mim e disse: Espero que você e esses dois aí morram de fome! Bateu a porta e foi embora.

Depois que ela contou a história notei que algumas alunas choravam, outras interviam na fala da colega dizendo que algo semelhante tinha acontecido com elas e outra chegou a contar que presenciou um ato de violência, ainda quando criança, contra sua mãe, que levou 13 facadas do seu pai enciumado.

A violência doméstica e familiar está presente em muitos lares em todo país e atinge mulheres, crianças e idosos. É um problema antigo, que começou a ser tratado com mais seriedade após o advento da Lei nº 11.340/06, que apresenta mecanismos para coibir a violência contra as mulheres.

Quando pensamos que estamos distantes de situações como essas, nos enganamos facilmente. Quantas mulheres não sofrem violência domestica no silêncio de suas casas e ninguém vê ou muitas vezes fingem não ver.

Muitas mulheres perdem suas vidas, em todos os sentidos, por causa do orgulho e machismo absurdo do marido, que pensa ser superior e proprietário de sua esposa.

Precisamos cada vez mais lutar contra essa barbárie que todos os dias ceifam a vida de mulheres em todo país. Que a “Lei Maria da Penha” seja aplicada rigorosamente em casos reais de violência doméstica, punindo o agressor e propagando a cultura de não violência contra a mulher.

@Marques_JM

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3 Comentários

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3 Respostas para “Uma aula sobre violência doméstica

  1. João

    [ APARÊNCIA e DNA se confundem no BRASIL: que HISTÓRIA! ], C Collucci, S Paulo SÁBADO 23dez2012 às 07h16
    _ www1.folha.uol.com.br/educacao/1205708-testes-provam-que-aparencia-e-dna-se-confundem-no-pais.shtml
    A MULATA Célia se autodeclara “muito PRETA” mas menos de 10% dos seus genes são de origem AFRICANA.
    A LOIRINHA Milene se classifica como “muito BRANCA” mas tem 37% de ancestralidade AFRICANA.

    [ A GEOGRAFIA do Prof CLERISVALDO explica MAIS que a BIOLOGIA do Prof FÁBIO ], R J LOPES ed “CIÊNCIA+SAÚDE”
    SÁBADO 23dez2012 às 07h19 _ www1.folha.uol.com.br/educacao/1205709-geografia-explica-mais-brasil-mestico-do-que-biologia.shtml
    [ CONSTÂNCIA ]: INDEPENDENTE_mente da COR declarada, do grupo de PESSOAS pessoas e da REGIÃO do BRASIL o quadro é praticamente o MESMO: contribuição predominante de EUROPEUS entre 60% e 80% do DNA em média com doses variáveis de heranças d’ÁFRICAS e d’AMÉRICAS, d’ÍNDIOS.
    DEZ anos de pesquisa d’ANCESTRALIDADE reaça 002 FATOS:
    001) quem vê CARA fica cego para HERANÇA;
    002) nos últimos 500 anos apenas homens de ascendência EUROPÉIA se reproduziram com MUITO MAIS eficiência q AFRICANOS e ÍNDIOS
    Uma realidade SOMBRIA: o DNA do cromossomo Y marca genética da MASCULINIDADE passada de PAI p filho HOMEM, realça: homens INDÍGENAS e AFRICANOS parecem ter sido CONDENADOS c frequência ao CELIBATO!

  2. João

    [ MARIA, Maria ], Milton Nascimento _ http://letras.mus.br/milton-nascimento/47431/
    * MARIA, Maria/ É um DOM, uma certa magia/ Uma FORÇA que nos alerta/ Uma MULHER que merece/ Viver e AMAR/ Como outra qualquer/ Do PLANETA
    * MARIA, Maria/ É o SOM, é a cor, é o suor/ É a DOSE mais forte e lenta/ De uma GENTE que rí/ Quando deve chorar/ E não vive, apenas AGUENTA
    # Mas é preciso ter força/ É preciso ter RAÇA/ É preciso ter GANA sempre/ Quem traz no CORPO a marca/ MARIA, Maria/ Mistura a dor e a ALEGRIA … _ # _ [refrão]
    ## Mas é preciso ter MANHA/ É preciso ter GRAÇA/ É preciso ter SONHO sempre/ Quem traz na PELE essa marca/ Possui a estranha MANIA/ De ter FÉ na vida. … _ _ ## _ [refrinho]
    # _ [refrão] _ _ _ _ _ /\ _ _ _ ## _ [refrinho]
    ### Ah! Hei! Ah! Hei! Ah! Hei!/ Ah! Hei! Ah! Hei! Ah! Hei!!/ Lá Lá Lá Lerererê Lerererê/ Lá Lá Lá Lerererê Lerererê _ _ _ ### _ [refresco] _ _ _ _ _ /\ _ _ _ * Hei! Hei! Hei! Hei! _ _ _ _ _ /\ _ _ _ ### _ [refresco]
    # _ [refrão] _ _ _ _ _ /\ _ _ _ ## _ ## _ [refrinho]
    ### _ [refresco] _ _ _ _ _ /\ _ _ _ * Hei! Hei! Hei! Hei! _ _ _ _ _ /\ _ _ _ ### _ [refresco]

  3. monica maria santos

    Eu ainda acho que essa lei deveria ser mas dura ! pois a semana passada não me recordo a data e nem o dia , assistindo um jornal na band , teve uma reportagem de que o marido tinha matado a esposa com facadas , e mesmo assim depois de ela ter prestado queixas na delegacia da mulher por 18 vezes , e nada foi feito , só com a morte dela é que o sujeito foi preso ! ….. Ai eu pergunto onde estar a tal lei , qual é o efeito que ela causa ?
    A maioria das vezes , só vem se cumprir quando acontece o pior ! ………..

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