Violência e tortura não resolvem os problemas de segurança pública! (Por: Rafael Pires)

arma-assalto

Texto: Rafael Pires¹

Chamou a atenção de toda a população de Maceió, e com repercussão em praticamente todos os canais de TV e grandes sites de informação do país, a ação dos policiais militares em sua abordagem, com agressões e mesmo uso de arma de choque, contra cinco suspeitos no bairro do Trapiche.

Sem dúvidas, discutir a abordagem policial não é uma questão menor. Em sua defesa, os PM´s apresentam que se trata de bandidos ligados ao tráfico e, portanto, grandes ameaças a sociedade. Argumentam seus defensores, que os direitos humanos só aparecem nesse tipo de caso e que, por exemplo, no caso do motorista de ônibus assassinado poucos dias depois, não houve representante dos direitos humanos para apoiar ou dar assistência à família da vítima.

A verdade é que herdamos no trato da violência e nas ações das forças policiais, uma herança maldita dos tempos da ditadura militar, onde diante do regime de exceção que o povo brasileiro estava submetido era possível prender sem aparo na lei, sequestrar, torturar, estuprar e matar, tudo isso realizado pelos agentes do Estado. Até hoje, vincular a imagem das polícias com caveiras e morte representam “força” para os órgãos de repressão.

Nos dias atuais, com a crescente escalada da violência, em especial em Maceió que se mantêm como a capital mais violenta da nação, a pressão e a tensão por mais segurança reforçam a ideia da força policial contra os criminosos. Batidas, invasões, grupos de extermínio e mesmo tortura são permitidos para tentar diminuir os índices de violência e tentar melhorar a imagem dos governantes.

Essa concepção está tão arraigada dentro da corporação, que o presidente da Associação dos Cabos e Soldados chegou a declarar não acreditar que os envolvidos sejam expulsos da Polícia Militar. Motivo: “já aconteceram coisas piores, e ninguém perdeu a farda”.

Dessa forma, inverte-se a busca por uma efetiva solução aos problemas de segurança. Defender mais presídios, mais repressão em nada modificam o quadro da segurança pública. Basta ver, a pesquisa divulgada pelo “Direito Direto”, O Brasil Atrás das Grades, disponível em (www.direitodireto.com).

Segundo a pesquisa, a população carcerária do país é de mais de 500 mil pessoas, a quarta maior do mundo, e teve o maior crescimento nos últimos 20 anos, 350%. Mesmo assim há um déficit de mais de 200 mil vagas nos presídios. Quer dizer, mesmo com mais presídios e sendo a quarta maior população carcerária, a segurança continua sendo um grave problema social.

 Social sim, pois a solução para o fim dessa violência está colocada no fim das desigualdades tão gritantes que vivemos. Analisando os dados da pesquisa, vemos que a maioria dos crimes está relacionada a crimes contra o patrimônio, com 57% dos presos condenados por furto e roubo. Em duas palavras: mais exclusão gera mais violência.

A ação dos policiais militares da Rádio Patrulha não representa infelizmente uma ação isolada. Essa é uma prática, no mínimo, permitida dentro da PM, mas prontamente criticada quando toma a repercussão que esse caso tomou. Lembremo-nos da ação dos policiais paulistas, que assassinaram, no mês de novembro, um ex-presidiário a sangue frio e ainda prepararam uma cena de confronto, com documentos atestando uma possível troca de tiros e a resistência da vítima durante a ação policial, farsa apenas descoberta com divulgação de filmagem semelhante a que tivemos no Trapiche.

Quantos outros casos assistiremos para que tenhamos uma mudança na abordagem da PM? Direitos humanos vão além de “defender presos”, se colocam exatamente na garantia e na defesa da vida digna para todos, e não será com tortura e agressões que se modificará a realidade social de milhões e milhões de pessoas, excluídas da sociedade consumista que vivemos e sem perspectivas de um futuro melhor.

O uso das armas de choque tão propagado pelo governo de Alagoas mostrou sua verdadeira face. Será figura corrente nas ações da PM para “interrogatórios”, “combate a resistência à prisão” e o que mais a criatividade permitir. Alguma dúvida? Uma imagem vale mais que mil palavras.

https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=bxCijhdi0OA

¹ Ex-diretor da União Nacional dos Estudantes e diretor do Centro Cultural Manoel Lisboa
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1 comentário

Arquivado em Alagoas, Geral

Uma resposta para “Violência e tortura não resolvem os problemas de segurança pública! (Por: Rafael Pires)

  1. João

    Caríssimo MARQUES,
    será que no SERTÃO alagoano, em Santana do Ipanema-AL, ocorrem “coisas piores”?
    Pois! … FATOS trazidos à tona nas rodas de [rede-]MOINHOS presentes, histórias contadas p’outras EU_quipes de PESCADORES d’águas passadas mornas CALIENTES
    _ http://www.santanadoipanema.al.gov.br/index.php/santana-do-ipanema/77-datas-comemorativas
    … nos informa que antes de PREFEITOS e PREFEITAS havia em SANTANA Coronéis e Tenentes, PADRES e leigos, Capitães e MAJORes e também doutores médicos talvez e advogados às vezes:
    [ INTENDENTES ]: 1892-94 – Cel Leopoldo; 1895- 1914 – Cel Luiz; 1914-15 – Pe Manoel;
    1916-18 – Cel Leopoldo; 1919-21; Ten André; 1921-22 – Cap Manoel; 1923-24 – Sebastião; 1924-25 – Manoel; 1925-28 – Cel Benedito; 1929-30 – Maj Ormindo; 1930-31 – Frederico; 1931-32 – Alfredo.
    [ INTERVENTORES]: 1932 – J Xisto; 1932 – Dr. Otávio; 1932-35 – Maj Francisco; 1935 – Ten J Rodrigues; 1937 – Maj Ormindo;
    1938-40 – Pedro Gaia; 1941-42 – Durval; 1942-43 – Adauto; 1945 – Mário; 1945 – Dr. Augusto; 1946 – Ademar; 1947 – Firmino Falcão Filho [Seu NOZINHO! …]

    Abçs, Abçs, Abçs … Bjus, Bjus, Bjus …

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